LITERATURA: “O MUNDO DO SILÊNCIO”

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Suspense da autora japonesa Yoko Ogawa é lançado no Brasil pela Editora Estação Liberdade

Redação / Foto Divulgação e ©Shinchosha Publishing

 A Editora Estação Liberdade traz para o público brasileiro mais uma obra de autores consagrados japoneses. Dessa vez, a escolhida foi “O Museu do Silêncio” de Yoko Ogawa. Um livro de suspense, que traz como tema central a criação de um museu que tem como objetivo preservar lembranças de pessoas que morreram.

 museu-do-silencioÉ uma obra bastante simbólica da produção de Yoko Ogawa, inserida no rol de escritoras japonesas contemporâneas já muito saudadas no Ocidente, do qual também fazem parte Aki Shimazaki, Banana Yoshimoto, Hiromi Kawakami, Hitomi Kanehara e Miyuki Miyabe. Porém, ao contrário da maioria de suas compatriotas de ofício, Yoko propõe uma literatura excêntrica, preferindo temas mais duros e polêmicos.

 Em “O Museu do Silêncio”, a autora também opta por ambientar a trama em tempo e local não identificados, o que contribui para diluir os eventuais estranhamentos culturais intrínsecos às suas origens nipônicas, e assim consolidar sua voz de alcance universal.

 O sonho de dar cabo ao Museu do Silêncio é de uma velha que vive com a jovem filha e um casal de empregados. Um museólogo – narrador da história é contratado por ela para tirar o projeto do papel. De personalidade hostil e sem o menor traquejo social, a velha tem lá suas idiossincrasias, sobretudo em relação ao tipo de memorabilia que almeja para o museu: as lembranças dos mortos precisam ser representativas do que eles foram em vida. Uma peça de roupa, uma fotografia sorridente – nada disso. Não se trata de preservar lembranças afetivas. Cada objeto do museu precisa ser a metáfora perfeita da existência do finado.

 No caso do homem cego, por exemplo, só mesmo seu olho de vidro serve às intenções da velha. E o museólogo – nenhum dos personagens do livro é nomeado – tem que se virar para recolher esse tipo de “relíquia” dos corpos moribundos. Para se familiarizar com essa macabra tarefe, o museólogo conta apenas com a ajuda da filha da chefe, por quem nutre sentimentos paternais… ou nem tanto. E, não bastassem o mau humor e as grosserias da velhota, ele ainda tem de lidar com uma chocante onda de assassinatos de mulheres da região, marcados pela característica comum de apresentar os corpos das vítimas mutilados numa região bem específica.

Yoko Ogawa

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 A vocação leitura da autora foi despertada precocemente por clássicos infantis. Nascida em Okayama, Japão, em 1962, Yoko Ogawa gosta de citar O diário de Anne Frank como uma referência decisiva no sentido de perceber a escrita como via de autoexpressão. Yoko vive atualmente em Ashiya, Hyogo – nas proximidades de Kyoto – com o marido e o filho.

 Com uma carreira brilhante e a publicação de cerca de vinte livros, entre ficção e não ficção, Yoko Ogawa arrebatou todos os prêmios referenciais do meio literário japonês, entre eles o Akutagawa pela novela Ninshin Karenda [Diário da gravidez], o Yomiuri por Hakase no aishita sushiki [A fórmula preferida do professor], o Izumi Kyoka por Burafuman no maiso [O enterro de Brahman], e o Tanizaki por Mina no koshin [A marcha de Mina]. A fórmula preferia do professor foi adaptada para o cinema pelo diretor Takashi Koizumi, ex-assistente de Akira Kurosawa.

O Museu do Silêncio

Yoko Ogawa

Tradução do japonês Rita Kohl

Editora Estação Liberdade

304 páginas

R$ 49,00

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